Adiamentos matam <i>Alicoop</i>
Cada dia que passa torna mais difícil a recuperação do Grupo Alicoop, salientou o CESP/CGTP-IN, que mobilizou o forte protesto de anteontem, frente à sede da Caixa Geral de Depósitos.
A viabilização também é do interesse da CGD e do Estado
De Silves, onde está sediado o grupo que detém os supermercados Alisuper (e também as marcas Macral e Geneco), e de vários outros concelhos algarvios, mais de 350 trabalhadores deslocaram-se terça-feira a Lisboa, para fazerem um veemente apelo ao presidente da CGD: que reconsidere rapidamente a posição que o banco público tem assumido na comissão de credores do Grupo Alicoop e tome uma medida que viabilize a recuperação.
Numa carta entregue na Avenida João XXI, ao cuidado de Faria de Oliveira, os trabalhadores e o Sindicato do Comércio e Serviços de Portugal afirmam que não compreendem nem aceitam que, enquanto a banca privada se dispõe a aceitar o plano de viabilização e a colocar a parte maior dos 5,5 milhões de euros, para relançamento da actividade e liquidação das dívidas em 16 anos, a CGD recuse avançar a sua parcela, de 1,2 milhões de euros, e impeça a aprovação do plano.
Os interesses da Caixa e do Estado-accionista, salienta-se no documento, distribuído aos jornalistas que acompanharam a concentração, coincidem com a manutenção dos cerca de 500 postos de trabalho directos e «a sobrevivência de centenas de fornecedores e postos de trabalho indirectos». É com a viabilização - apontada num estudo da consultora Deloitte, que custou 500 mil euros à Alicoop, a qual, para o encomendar, seguiu «compromissos assumidos ao mais alto nível, de que a Caixa foi parte» - que os credores poderão vir a receber.
A dívida do grupo, estimada em cerca de 80 milhões de euros (60 milhões à banca e 20 milhões a fornecedores), tem como principal credor o Millenium BCP, que apoia o plano de viabilização. Mas a aprovação exige o voto favorável da CGD. Esta, de um crédito acordado em 2004, no valor de cerca de 25 milhões de euros, recebeu já 14 milhões. Agora, com a recusa de financiamento e de cedência de garantias, o banco público não arrisca 1,2 milhões, mas «perde mais do que ganha», como se salienta na carta a Faria de Oliveira. Se impedir a viabilização, a Caixa não receberá o actual crédito de dez milhões de euros, enquanto a Segurança Social terá que despender elevadas verbas em subsídios de desemprego; serão gravemente afectadas centenas de famílias e, em geral, a economia local e regional.
Os trabalhadores, na concentração, lembraram que já suportaram meses de salários em atraso e foi também com muito atraso que conseguiram receber do Fundo de Garantia Salarial (recurso que terminou em Janeiro). Mas mantiveram-se nos postos de trabalho, para evitar o encerramento das 87 lojas do grupo. Com grande inquietação, vêem que, desde Agosto, quando a administração requereu a insolvência, têm-se sucedido reuniões atrás de reuniões, mas sem resultados. Isso mesmo voltou a acontecer ao fim da tarde de terça-feira, com o adiamento de mais uma reunião da comissão de credores, à qual a CGD não compareceu. Nessa altura, já o presidente da Caixa saberia do apelo que fecha a carta dos trabalhadores: «Não podemos esperar mais, o tempo corrói e destrói as empresas e alarga o buraco financeiro, ao mesmo tempo que impossibilita a preparação para o melhor tempo de vendas.»
Quem ganhará?
«Acreditamos que haja quem não perca e até esteja a esfregar as mãos de contente», admitem os trabalhadores e o CESP. Notícias anteriores já deram conta do eventual interesse de uma multinacional do retalho... Na carta ao presidente da CGD, o perfil de quem poderá ganhar com a falência do Grupo Alicoop é assim traçado: «retira um concorrente, de um mercado já muito saturado, e ainda pode vir a obter as melhores lojas de borla».
Falta o Governo
«Há meses que o PCP tem vindo a alertar para a gravidade da situação e para a necessidade de medidas que evitem mais desemprego», mas «do Governo PS ouvimos silêncio» - afirmou a Comissão Concelhia de Silves do Partido, que sexta-feira alertou para o «cada vez mais real» risco de fecho da cadeia de supermercados.
No dia 1, esteve no concelho o deputado José Soeiro, que se inteirou da situação e questionou depois o Governo. Com os trabalhadores, partilhando a inquietação e a revolta, estiveram anteontem em Lisboa a vereadora da CDU na Câmara de Silves, Rosa Palma, e os presidentes de junta das duas maiores freguesias do concelho, Mário Godinho (Silves) e João Carlos Correia (Messines), igualmente eleitos nas listas da coligação PCP-PEV.
Numa carta entregue na Avenida João XXI, ao cuidado de Faria de Oliveira, os trabalhadores e o Sindicato do Comércio e Serviços de Portugal afirmam que não compreendem nem aceitam que, enquanto a banca privada se dispõe a aceitar o plano de viabilização e a colocar a parte maior dos 5,5 milhões de euros, para relançamento da actividade e liquidação das dívidas em 16 anos, a CGD recuse avançar a sua parcela, de 1,2 milhões de euros, e impeça a aprovação do plano.
Os interesses da Caixa e do Estado-accionista, salienta-se no documento, distribuído aos jornalistas que acompanharam a concentração, coincidem com a manutenção dos cerca de 500 postos de trabalho directos e «a sobrevivência de centenas de fornecedores e postos de trabalho indirectos». É com a viabilização - apontada num estudo da consultora Deloitte, que custou 500 mil euros à Alicoop, a qual, para o encomendar, seguiu «compromissos assumidos ao mais alto nível, de que a Caixa foi parte» - que os credores poderão vir a receber.
A dívida do grupo, estimada em cerca de 80 milhões de euros (60 milhões à banca e 20 milhões a fornecedores), tem como principal credor o Millenium BCP, que apoia o plano de viabilização. Mas a aprovação exige o voto favorável da CGD. Esta, de um crédito acordado em 2004, no valor de cerca de 25 milhões de euros, recebeu já 14 milhões. Agora, com a recusa de financiamento e de cedência de garantias, o banco público não arrisca 1,2 milhões, mas «perde mais do que ganha», como se salienta na carta a Faria de Oliveira. Se impedir a viabilização, a Caixa não receberá o actual crédito de dez milhões de euros, enquanto a Segurança Social terá que despender elevadas verbas em subsídios de desemprego; serão gravemente afectadas centenas de famílias e, em geral, a economia local e regional.
Os trabalhadores, na concentração, lembraram que já suportaram meses de salários em atraso e foi também com muito atraso que conseguiram receber do Fundo de Garantia Salarial (recurso que terminou em Janeiro). Mas mantiveram-se nos postos de trabalho, para evitar o encerramento das 87 lojas do grupo. Com grande inquietação, vêem que, desde Agosto, quando a administração requereu a insolvência, têm-se sucedido reuniões atrás de reuniões, mas sem resultados. Isso mesmo voltou a acontecer ao fim da tarde de terça-feira, com o adiamento de mais uma reunião da comissão de credores, à qual a CGD não compareceu. Nessa altura, já o presidente da Caixa saberia do apelo que fecha a carta dos trabalhadores: «Não podemos esperar mais, o tempo corrói e destrói as empresas e alarga o buraco financeiro, ao mesmo tempo que impossibilita a preparação para o melhor tempo de vendas.»
Quem ganhará?
«Acreditamos que haja quem não perca e até esteja a esfregar as mãos de contente», admitem os trabalhadores e o CESP. Notícias anteriores já deram conta do eventual interesse de uma multinacional do retalho... Na carta ao presidente da CGD, o perfil de quem poderá ganhar com a falência do Grupo Alicoop é assim traçado: «retira um concorrente, de um mercado já muito saturado, e ainda pode vir a obter as melhores lojas de borla».
Falta o Governo
«Há meses que o PCP tem vindo a alertar para a gravidade da situação e para a necessidade de medidas que evitem mais desemprego», mas «do Governo PS ouvimos silêncio» - afirmou a Comissão Concelhia de Silves do Partido, que sexta-feira alertou para o «cada vez mais real» risco de fecho da cadeia de supermercados.
No dia 1, esteve no concelho o deputado José Soeiro, que se inteirou da situação e questionou depois o Governo. Com os trabalhadores, partilhando a inquietação e a revolta, estiveram anteontem em Lisboa a vereadora da CDU na Câmara de Silves, Rosa Palma, e os presidentes de junta das duas maiores freguesias do concelho, Mário Godinho (Silves) e João Carlos Correia (Messines), igualmente eleitos nas listas da coligação PCP-PEV.